sábado, 12 de dezembro de 2015

Em meio a dor brotou flor


Nunca permiti que a dor me sufocasse. Mas sempre senti intensamente. Acredito que a dor precisa ser sentida mesmo, se não fosse assim não seria dor. Também vejo o sentir como uma benção. Se não sentíssemos, como saberíamos o gosto da alegria? E só vivêssemos apenas momentos felizes, como teríamos apreço por eles? Para mim, a vida é dividida em momentos e todos eles são substanciais. 


Eu agradeço pela dor. Ela me faz perceber o que não está certo. Me sacode pelos ombros, me aperta o peito e aponta o que eu preciso fazer para sair da situação onde me encontro. Certa vez um amiga me disse que a dor nos paralisa, e eu discordo. A dor nos movimenta. Nos enche de indignação, provoca lágrimas, traz à tona o real - até mesmo clareza. Porque a dor não prende, a escolha é individual; continuar em sua fraqueza ou buscar sua própria libertação. Entretanto, confesso que às vezes escolho a dor à alegria. Sim. Em momentos dolorosos é que descubro a verdadeira essência da realidade que me cerca. Particularmente, eu me recuso criar tantas expectativas depois de tantos machucados. A dor me faz buscar viver apenas o verdadeiro. De fato, na vida nem tudo são flores. Viver nos braços da utopia significa provocar novos ferimentos.

Contudo, é em momentos de dor que a glória se revela. Que a verdade me alcança. Que vejo o quanto sou forte. O que não mais repetirei. É na dor que eu descubro o quanto posso ajudar os outros, o quanto a experiência nos ensina. É na dor que brotam as flores, é na dor que nasce a esperança de dias mais bonitos, assim como é única e exclusivamente na dor que eu desabrocho, cresço, amadureço. 

Graças a Deus pela dor, pois em cada canto de mim brotou flor.
- ALVES, Ellen.