domingo, 19 de julho de 2015

Crítica: É válido simplificar a linguagem de um clássico?











Muito se tem discutido acerca da linguagem dos clássicos que compõem genuinamente a literatura brasileira. Por seu dialeto rebuscado, muitos jovens desistem precocemente de deter-se a tais obras por não suceder compreensão durante a leitura. 

De acordo com uma pesquisa do G1, 70% dos brasileiros não leram nenhum livro no ano de 2014. A revista Veja também aponta que os livros mais vendidos neste mesmo ano foram somente de literatura estrangeira, tendo por gênero infanto-juvenil. Por consequência disto, observa-se a todo instante, contestações feitas por boa parte dos jovens em relação aos clássicos literários e seu nível elevadíssimo. A questão crucial em pauta, é que estes leitores se detêm apenas à obras compostas por um coloquialismo exacerbado. Então como poderão compreender uma escrita mais trabalhada, à moda Machados de Assis, por exemplo? É incontestável concluir que os que prezam por obras simplórias, compreendam somente - na maioria  das vezes - obras deste mesmo caráter. 

É possível concluir que o problema não é a obra e sua linguagem, mas a má e pouquíssima leitura que vem predominando em meio à juventude. É a carência da verdadeira literatura que causa pobreza vocabular e insatisfação. Logo, o incômodo não está na obra em si, mas em quem a lê. 

Uma foto publicada por Ellen alves (@momentosassim) em
Ô Ellen, então você tá querendo dizer que é errado ler adaptações? NÃO! Eu mesma adoro ler adaptações, independente do livro! Mas só depois de ter lido a obra original, viu? E discordo veemente que para todo clássico que exigi uma compreensão mais apurada deve existir um livro mais simplório para "compensar", fazendo dessa forma com que o público busque-os por encontrar facilidade na leitura.

Eu não nasci com o dom nato para compreender clássicos, no início (assim que descobri o fantástico mundo da literatura brasileira, principalmente do século XVIII) senti muita dificuldade. Porém, não fiz disso um empecilho para mergulhar nas obras incríveis que descobri, e que até hoje são incomparáveis para mim. Acredito que para a resolver a incompreensão das palavras é que existe o dicionário. Ter que adaptar obras pelas quais o autor pôs o melhor de si, é um retrocesso. Em outras palavras, é não valorizar a escrita de quem escreveu e admitir, não tenho conhecimento ou um vocabulário rico como este para compreender algo deste nível.

Só estamos - mais uma vez - tampando o sol com a peneira. O fato é que não temos uma educação estonteante, e isto combinado ao desinteresse das pessoas em aprender mais da sua própria língua nativa resulta nisto: em adaptação.

E você? Qual é a sua opinião?

ALVES, Ellen.