Depois de quebrar o pote de café de vidro, e sair correndo ao deixar a cena repleta de vestígios do crime, meu irmão vai chorar baixinho lá na sala tentando se redimir do erro cometido. Dos meus lábios saem reclamões chateados de quem necessita de mais paciência. E lá vai eu juntar os cacos maiores com a mão, apressada, querendo voltar logo ao trabalho de lavar os pratos.
Um caco qualquer dentre os quais eu estava colhendo cortou meu dedo indicador. Os estrago não foi grande, no início nem o percebi, cerca de segundos depois vi sangue jorrando de algum lugar da mão, e quando foquei minha vista no corte, sorri. Era tão pequeno, mas tão pequeno que senti pena do atentado do caco ao meu dedo. "Pobre do caco, não soube nem fazer seu serviço direito", resmunguei. E para o engano meu, quando abri a torneira para finalmente voltar ao serviço que já deveria ter terminado... O corte doeu tanto, mas tanto que me enchi de indignação e raiva. Tentei ignorar a aflição, voltei a cantarolar, diminui o volume da água da torneira, sequei o dedo, molhei o dedo de novo. Mas nada, a dor continuava lá. Forte. E como era forte, viu? Depois de mais alguns segundos de tortura, finalmente desisti de tentar ignorar a agonia e lá fui eu atrás de um band-aid. O dia inteiro senti dor no local do corte. Água não podia nem se quer encostar! A pergunta que não parava de martelar minha mente era:
Como é que um corte tão pequeno pode causar um "sofrimento" tão grande?
Simples, ele foi profundo. Até hoje esse corte meio que dói (não sarou direito ainda, faz pouco tempo), e tenho certeza que o tamanho em nada influenciou -já que era minúsculo-. Mas tenho absoluta certeza que foi profundo, porque somente as coisas profundas doem e "demoram" tanto para sarar, seja o fim de um amor, de uma amizade, seja a distância de alguém especial. O problema não é o tempo nem o tamanho, mas a profundidade que o que quer que seja tem.
Se foi profundo vai doer, não me pergunte o porquê, vai doer. É regra.
Se foi profundo vai doer, não me pergunte o porquê, vai doer. É regra.
Besos, Éh!
